Tosse em criança: quando é normal e quando se preocupar?
Seu filho começou com coriza, depois veio a tosse. Os dias passaram, o nariz até melhorou, mas ele continua tossindo.
Então surge a dúvida:
“Essa tosse ainda é normal ou já está demorando demais?”
Uma das coisas que mais surpreendem os pais é que a tosse pode continuar mesmo quando a criança já está melhor do restante do resfriado.
Por isso, mais importante do que simplesmente contar quantos dias a criança está tossindo é observar como ela está respirando, seu estado geral e como os sintomas estão evoluindo.
Por que as crianças tossem?
A tosse não é uma doença. Ela é um mecanismo de defesa das vias respiratórias.
Quando existe muco, irritação ou algum agente estranho nas vias aéreas, tossir ajuda o organismo a eliminar secreções e proteger os pulmões.
Por isso, tentar fazer a tosse desaparecer a qualquer custo nem sempre é necessário e pode até atrapalhar a avaliação da causa.
Entre as causas mais frequentes de tosse na infância estão:
- resfriados e outras infecções virais;
- rinite;
- asma;
- secreção nasal;
- irritação das vias respiratórias por fumaça ou outros poluentes.
Existem também causas menos comuns que precisam ser consideradas dependendo da idade, da duração da tosse e dos sintomas associados.
Quanto tempo pode durar a tosse de um resfriado?
Essa é provavelmente uma das dúvidas mais importantes.
Muitos pais esperam que a tosse desapareça em três ou quatro dias junto com os outros sintomas. Nem sempre acontece assim.
Em uma infecção respiratória viral, a criança pode melhorar da febre e da indisposição e continuar tossindo por vários dias.
A Sociedade Brasileira de Pediatria explica que a tosse relacionada às infecções das vias aéreas superiores pode durar cerca de 10 dias e, em algumas crianças, prolongar-se por 25 dias ou mais.
Portanto:
estar tossindo há vários dias, isoladamente, não significa que a criança precise de antibiótico ou que esteja necessariamente com pneumonia.
O comportamento da criança e a evolução do quadro dizem muito.
Tosse com catarro significa infecção bacteriana?
Não necessariamente.
Durante uma infecção respiratória, é comum ocorrer produção de secreção.
A secreção também pode ficar mais espessa e mudar de aparência ao longo dos dias. Isso, isoladamente, não permite determinar se a infecção é viral ou bacteriana.
Por isso, não é adequado decidir pelo uso de antibiótico apenas porque a criança está tossindo com catarro ou porque a secreção nasal ficou amarelada ou esverdeada.
É necessário avaliar o conjunto dos sintomas e sua evolução.
E quando a tosse piora à noite?
Também é bastante comum.
Quando a criança se deita, as secreções nasais podem escorrer em direção à garganta e estimular a tosse. Algumas doenças respiratórias também apresentam sintomas predominantemente noturnos.
Mas existe uma diferença importante entre:
a criança que tosse durante a noite, mas respira confortavelmente
e
a criança que tosse e apresenta dificuldade para respirar.
Essa segunda situação merece muito mais atenção.
O que observar além da tosse?
Em vez de olhar apenas para a quantidade de tosse, observe a criança.
Pergunte:
Ela está respirando normalmente?
Continua brincando e interagindo?
Está conseguindo mamar ou se alimentar?
Está bebendo líquidos?
Apareceu febre?
A febre desapareceu e depois voltou?
A tosse está melhorando, está igual ou piorando progressivamente?
Existe chiado ou algum ruído diferente durante a respiração?
Essas informações ajudam muito mais a avaliar a gravidade do quadro do que simplesmente dizer que “está tossindo muito”.
Quando a tosse em criança precisa de avaliação médica?
Algumas situações merecem avaliação pelo pediatra, especialmente quando a tosse:
- persiste por várias semanas;
- acontece em bebês pequenos;
- começou de maneira súbita depois de um engasgo;
- está progressivamente pior;
- vem acompanhada de febre persistente ou recorrente;
- interfere de forma importante no sono ou na alimentação;
- acontece repetidamente durante a noite;
- está acompanhada de chiado;
- vem acompanhada de perda de peso ou queda importante do estado geral.
A Sociedade Brasileira de Pediatria considera a tosse com duração superior a quatro semanas um dos motivos para investigação médica.
Quais sinais indicam que não é para esperar uma consulta de rotina?
Alguns sinais mudam completamente a situação.
Procure avaliação médica com maior rapidez quando a criança apresentar:
dificuldade para respirar;
respiração muito rápida ou esforço para respirar;
costelas ou região abaixo delas afundando durante a respiração;
coloração arroxeada nos lábios ou na pele;
sonolência excessiva ou dificuldade para despertar;
recusa importante de líquidos ou mamadas;
queda acentuada do estado geral.
Nos bebês, principalmente nos primeiros meses de vida, o limite para avaliação deve ser ainda menor.
Quadros como a bronquiolite, por exemplo, podem começar parecendo apenas um resfriado, com nariz entupido, coriza e tosse, e posteriormente evoluir com respiração rápida, chiado e dificuldade respiratória.
Criança tossindo precisa tomar xarope?
Não automaticamente.
A pergunta mais importante não é:
“Qual remédio corta essa tosse?”
É:
“Por que essa criança está tossindo?”
O tratamento depende da causa.
Uma tosse causada por uma infecção viral não é conduzida da mesma forma que uma tosse relacionada à asma, rinite ou outra condição.
Além disso, medicamentos para tosse não devem ser utilizados indiscriminadamente em crianças, especialmente nas menores.
E a lavagem nasal?
Quando existe congestão ou secreção nasal, a higiene nasal com solução salina pode ajudar a remover secreções e melhorar o conforto da criança.
Isso pode ser particularmente útil antes das mamadas, refeições e do sono.
A técnica e o volume utilizados precisam ser adequados à idade e à tolerância da criança.
Meu filho vive gripado e tossindo. Isso é normal?
Crianças que frequentam creche ou escola ficam expostas a muitos vírus respiratórios.
Por isso, podem apresentar vários episódios de infecções respiratórias ao longo do ano.
Às vezes acontece algo que confunde bastante os pais: uma virose começa antes que a tosse da anterior tenha desaparecido completamente.
A impressão é de que a criança está doente há um mês inteiro, quando, na verdade, pode ter apresentado infecções consecutivas.
Isso não significa que toda tosse recorrente seja normal. Quando os sintomas são muito frequentes, prolongados ou apresentam características diferentes do esperado, vale investigar outras possibilidades.
O mais importante não é apenas há quantos dias a criança está tossindo
Uma criança no décimo dia de tosse, brincando, respirando normalmente e melhorando progressivamente pode estar em uma situação muito diferente de outra criança no segundo dia de doença, mas respirando com esforço e recusando líquidos.
Na pediatria, o estado geral e a respiração são informações fundamentais.
Por isso, quando seu filho estiver tossindo, além de contar os dias, observe principalmente como ele está.
Perguntas frequentes
Tosse por 10 dias em criança é normal?
Pode acontecer. Infecções respiratórias virais frequentemente deixam tosse por vários dias mesmo depois da melhora dos demais sintomas. A evolução do quadro e os sintomas associados precisam ser considerados.
Catarro verde significa que precisa de antibiótico?
Não. A cor da secreção isoladamente não determina a necessidade de antibiótico.
Tosse à noite é sinal de pneumonia?
Não necessariamente. Secreção nasal, rinite e outras condições podem provocar tosse noturna. Dificuldade respiratória, febre, queda do estado geral e outros sintomas precisam ser avaliados em conjunto.
Quando uma tosse é considerada prolongada?
A tosse persistente por mais de quatro semanas merece avaliação médica para investigação da causa.
Bebê tossindo precisa ser avaliado?
Quanto menor o bebê, maior deve ser a atenção, especialmente nos primeiros meses de vida. Tosse associada a dificuldade respiratória, redução das mamadas, sonolência ou piora do estado geral necessita avaliação.
Quando procurar o pediatra?
Se a tosse está se prolongando, repetindo com frequência ou você percebeu mudança na respiração, alimentação ou comportamento da criança, uma avaliação pediátrica permite diferenciar a evolução esperada de uma infecção respiratória de situações que precisam de investigação.
Para famílias em Belém do Pará, realizo acompanhamento pediátrico presencial. Dependendo da situação clínica e da idade da criança, também é possível realizar acompanhamento por telemedicina pediátrica para famílias de outras regiões do Brasil.
Em situações com dificuldade respiratória importante ou piora rápida do estado geral, a avaliação deve ser presencial e imediata.
